terça-feira, 18 de outubro de 2011

INCLUSÃO ESCOLAR

Escola adaptada e material em braile facilitam a inclusão social

Breno é deficiente visual e estuda na José Cardoso, onde recebe auxílio de um cuidador
Breno é deficiente visual e estuda na José Cardoso, onde recebe auxílio de um cuidador
Ana Ligia Noale

O estudante Breno Almeida Soares tem uma vida igual à de muitos jovens de 17 anos. Frequenta a escola, toca instrumentos musicais e é um assíduo usuário das redes sociais. Como ele, há 28 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, segundo estimativa do IBGE. Outro cálculo, o das Nações Unidas, fala em 19 milhões. A mãe de Breno teve rubéola congênita na gestação e consequente acometimento visual do filho. Além disso, o jovem tem um leve grau de autismo.

Porém, estes obstáculos nunca foram impedimento para o adolescente aprender e se articular. Pela manhã, frequenta a sala de aula regular na Escola Estadual Professor José Cardoso e, à tarde, têm acompanhamento de um grupo multidisciplinar que atende no Centro de Habilitação Infantil Princesa Victoria, composto por fisioterapeutas, psicóloga, fonoaudiólogas, assistente social, pedagoga e terapeutas ocupacionais.

Já, nas horas livres, Breno toca instrumentos musicais e se distrai na Internet. “Faço aulas de teclado e aprendi sozinho a tocar pandeiro e gaita. Mas o que mais gosto mesmo é de navegar na Internet”, afirma o estudante.

Breno conta que é aluno da José Cardoso desde a 5ª série e que a instituição de ensino é exemplo de que a educação inclusiva pode acontecer com qualidade na escola pública. “Sempre recebi muito apoio da minha mãe, dos professores, principalmente da de História, coordenadores e colegas de escola”.

Com empenho da mãe, Breno e a escola José Cardoso obtiveram um grande avanço neste ano: cuidadores. “Trata-se de dois auxiliares de enfermagem contratados pelo Estado que conduzem os alunos e se preocupam com a saúde deles no ambiente escolar. Além de Breno, outros dois estudantes são beneficiados por estes cuidadores”, destaca a professora coordenadora Fabiana Nicoletti.

Segundo Fabiana, a escola é toda adaptada para receber deficientes. “Temos uma grande interação entre os alunos deficientes e não deficientes. Os professores também frequentam aos sábados um curso para aprender a lidar com a inclusão. Com isso, a educação sai ganhando”, acrescenta a coordenadora.

Por falar em educação, Breno conta que desde 2009 recebe material, livros e dicionário em braile, que são distribuídos juntos com o caderno do aluno pela Secretaria de Estado da Educação.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria, foram investidos R$ 1 milhão na produção de 13,7 mil exemplares em braile, realizada pela Fundação Dorina Nowill para atender aos estudantes com deficiência visual do Estado. Do total, 7,3 mil materiais impressos foram entregues no primeiro semestre deste ano. Os outros 6,4 mil serão distribuídos neste segundo semestre.

Com tantas conquistas já adquiridas, Breno tem certeza de que seu futuro pode ser ainda melhor. “Pretendo fazer uma faculdade na área de áudio ou informática”, diz o jovem.

E não há quem duvide disso...

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