domingo, 23 de outubro de 2011

Efe
Algumas crianças superdotadas optam por esconder suas capacidades em prol de uma maior aceitação social
Purificación León
Da Efe
Brilhantes e com grande talento, mas também com dificuldades de relacionamento com colegas e amigos. Assim são algumas crianças superdotadas, que em troca de maior aceitação social acabam optando por esconder suas habilidades superiores a média geral
Genética e o mundo à volta. A inteligência é herança, mas também se adquire ao longo da vida. "Esses são os dois tipos de inteligência que se conjugam em uma só e dão como resultado a capacidade do indivíduo para realizar tarefas, desenvolver-se, aprender e, definitivamente, adaptar-se ao meio", indica Celestino Rodríguez, professor de Psicologia da Educação na Universidade de Oviedo.

Um ambiente enriquecedor aumenta as possibilidades de desenvolver a inteligência. "No entanto, existem ocasiões em que embora o mundo seja adequado não se está predisposto geneticamente para o desenvolvimento cognitivo", afirma.

Para o especialista, costuma-se considerar superdotado um indivíduo cujo quociente intelectual é de 130 ou superior, enquanto o quociente intelectual médio da população é de 100. Rodríguez, entretanto, garante que a definição de superdotação não se determina só em função do número.

"A superdotação não é um estado homogêneo. Ao contrário, há mais diferenças do que semelhanças. Só levando em conta a inteligência em nível psicométrico é possível encontrar diferenças importantes entre as crianças de quociente intelectual 130 e os de mais de 200", detalha María del Carmen Blanco Valle na "Guia de identificação e acompanhamento de alunos superdotados".

Estas crianças "apresentam geralmente uma série de traços que podem ajudar em sua identificação", acrescenta. Engatinhar aos seis meses, ter vocabulário avançado aos dois anos e contar até dez seis meses mais tarde são algumas das características que podem ajudar a detectar as crianças com habilidades acima da média.
Efe
As crianças superdotadas têm grande capacidade para reter informações
Na hora de detectar um aluno com altas capacidades, os professores devem fixar-se em características como "a criatividade, além da capacidade de estar atento e de sintetizar com rapidez tudo o que ouve ou vê", explica Celestino Rodríguez.

As crianças superdotadas têm grande capacidade para reter informações. "Podem entrar em uma sala, permanecer ali por aproximadamente dez segundos, sair e comentar tudo que tem dentro. Poucos segundos são tempo de sobra para fazerem uma radiografia exata do lugar", afirma o professor de Psicologia da Educação.
Além disso, os superdotados "costumam ter dom com as artes plásticas, a música e outras especialidades não puramente cognitivas", aponta.
No entanto, frequentemente apresentam dificuldades de convívio social. "Costumam ser crianças dominantes, para as quais é difícil integrarem-se a um grupo", aponta Mercedes Fernández, professora da educação primária.

Mercedes conta o caso de uma criança com altas capacidades que aos três anos conta de dois em dois em inglês de trás para frente simplesmente para se divertir enquanto seus pais o levam de carro de casa para escola. Mas se trata de uma criança com tendência ao isolamento e com poucos amigos.

Alunos seletivos
"Os superdotados são seletivos. Eles gostam de tirar boas notas em suas matérias preferidas, mas não se saem bem em outras disciplinas, podendo ficar até níveis abaixo do restante da turma", afirma.
Efe
Os superdotados costumam ter algum dom para as artes plásticas, a música e outras especialidades não puramente cognitivas, apontam os especialistas
"Os alunos superdotados precisam de desafios educacionais diferentes para evitar o fracasso escolar", defende Esteban Sánchez Manzano, membro do Departamento de Didática e Organização Escolar da Universidade Complutense de Madri no livro "O processo de ensino e aprendizagem".

"Com frequência estes estudantes ficam chateados com a dinâmica das aulas e deixam de prestar a atenção às explicações do professor", aponta. "Muitos deles não manifestam suas capacidades e habilidades para parecerem iguais aos demais e serem aceitos por professores e companheiros, mas isto faz perder a espontaneidade do comportamento, podendo desenvolver transtorno obsessivo e depressão", assinala Sánchez Manzano.

O professor Celestino Rodríguez conhece casos de crianças que tentam esconder suas capacidades. "Mas a grande parte podem ser classificados como aqueles que tudo sabem e isso pode levar a um cenário de assédio psicológico", opina.

"Muitas vezes a criança atua desta maneira e, inclusive, fracassa em seus estudos. Uma das razões pode ser não querer mostrar a grande capacidade que tem para os colegas e correr o risco de ser excluído do grupo", especifica.

Rodríguez afirma que as crianças com altas capacidades precisam de "uma estimulação flexível em função de suas preferências. Seu ambiente deve se basear naquilo que mais o motive e estimule e não anular sua capacidade em um currículo escolar letivo rígido".

"A inteligência é dinâmica", afirma. "Se somos capazes de estimular uma criança, um quociente intelectual de 100 pode se transformar em 120 e 130", afirma.

Há capacidades que muitas vezes "estão adormecidas pela falta de motivação, de atenção e pelo fato de não viverem em um ambiente enriquecedor. Mas é possível trabalhar a inteligência dessas crianças", garante.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

INCLUSÃO ESCOLAR

Escola adaptada e material em braile facilitam a inclusão social

Breno é deficiente visual e estuda na José Cardoso, onde recebe auxílio de um cuidador
Breno é deficiente visual e estuda na José Cardoso, onde recebe auxílio de um cuidador
Ana Ligia Noale

O estudante Breno Almeida Soares tem uma vida igual à de muitos jovens de 17 anos. Frequenta a escola, toca instrumentos musicais e é um assíduo usuário das redes sociais. Como ele, há 28 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, segundo estimativa do IBGE. Outro cálculo, o das Nações Unidas, fala em 19 milhões. A mãe de Breno teve rubéola congênita na gestação e consequente acometimento visual do filho. Além disso, o jovem tem um leve grau de autismo.

Porém, estes obstáculos nunca foram impedimento para o adolescente aprender e se articular. Pela manhã, frequenta a sala de aula regular na Escola Estadual Professor José Cardoso e, à tarde, têm acompanhamento de um grupo multidisciplinar que atende no Centro de Habilitação Infantil Princesa Victoria, composto por fisioterapeutas, psicóloga, fonoaudiólogas, assistente social, pedagoga e terapeutas ocupacionais.

Já, nas horas livres, Breno toca instrumentos musicais e se distrai na Internet. “Faço aulas de teclado e aprendi sozinho a tocar pandeiro e gaita. Mas o que mais gosto mesmo é de navegar na Internet”, afirma o estudante.

Breno conta que é aluno da José Cardoso desde a 5ª série e que a instituição de ensino é exemplo de que a educação inclusiva pode acontecer com qualidade na escola pública. “Sempre recebi muito apoio da minha mãe, dos professores, principalmente da de História, coordenadores e colegas de escola”.

Com empenho da mãe, Breno e a escola José Cardoso obtiveram um grande avanço neste ano: cuidadores. “Trata-se de dois auxiliares de enfermagem contratados pelo Estado que conduzem os alunos e se preocupam com a saúde deles no ambiente escolar. Além de Breno, outros dois estudantes são beneficiados por estes cuidadores”, destaca a professora coordenadora Fabiana Nicoletti.

Segundo Fabiana, a escola é toda adaptada para receber deficientes. “Temos uma grande interação entre os alunos deficientes e não deficientes. Os professores também frequentam aos sábados um curso para aprender a lidar com a inclusão. Com isso, a educação sai ganhando”, acrescenta a coordenadora.

Por falar em educação, Breno conta que desde 2009 recebe material, livros e dicionário em braile, que são distribuídos juntos com o caderno do aluno pela Secretaria de Estado da Educação.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria, foram investidos R$ 1 milhão na produção de 13,7 mil exemplares em braile, realizada pela Fundação Dorina Nowill para atender aos estudantes com deficiência visual do Estado. Do total, 7,3 mil materiais impressos foram entregues no primeiro semestre deste ano. Os outros 6,4 mil serão distribuídos neste segundo semestre.

Com tantas conquistas já adquiridas, Breno tem certeza de que seu futuro pode ser ainda melhor. “Pretendo fazer uma faculdade na área de áudio ou informática”, diz o jovem.

E não há quem duvide disso...

sábado, 15 de outubro de 2011

Assunto polemico: o que você acha disso?

Direito à sexualidade, apesar da deficiência

A ajuda dos especialistas ocorre também através do contato físico.
Legenda: A ajuda dos especialistas ocorre também através do contato físico. (Westend61)

Se o direito à sexualidade existe para os deficientes, seus desejos íntimos continuam sendo um tabu e objeto de preconceitos.

A formação de dez assistentes na Suíça francesa chamou a atenção para um mundo oculto, feito de desejos abafados e carências afetivas.

Eles são enfermeiros, massagistas, terapeutas ou artistas. Têm entre 35 e 55 anos e foram formados para responder às necessidades sexuais de pessoas sofrendo de uma deficiência física. Uma tarefa delicada, sobretudo pelo fato de a sexualidade de inválidos ser geralmente rejeitada pela sociedade e alvo de fortes preconceitos.

Falar do seu próprio corpo, da sua relação com a intimidade e o sexo não é fácil. Menos ainda se a pessoa é considerada como "diferente". Portanto, a "sexualidade de deficientes é um direito que deve ser respeitado e protegido com uma sensibilidade extrema", declara Ahia Zemp. A psicoterapeuta é responsável pela Seção Deficiência e Sexualidade (FABS, na sigla em alemão) de Basileia, que foi também a primeira associação na Suíça a propor uma formação especial de assistentes eróticos.

"A relação com a sexualidade é uma noção extremamente subjetiva. Da mesma forma que beber ou comer, é uma pulsão natural tida não apenas pelas pessoas válidas", explica. "Os deficientes físicos são muitas vezes considerados como pessoas assexuadas, sendo que, na realidade, têm os mesmos desejos que os outros e têm os mesmos direitos de concretizar sonhos e viver seus desejos", acrescenta Zemp.

Sexualidade e deficiência, um tabu duplo

Para responder às necessidades dos novos pacientes, a Associação Sexualidade e Deficiência Pluriels na Suíça francesa (SEHP) acaba de formar seu primeiro grupo de assistentes sexuais diplomados. Em breve, os seis homens e quatro mulheres irão acompanhar os vinte profissionais já ativos na Suíça de expressão alemã, quebrando dessa forma um tabu duplo: o da sexualidade e da deficiência física.

O projeto começou em 2002, quando a organização de apoio Pro Infirmis elaborava um programa educativo nesse sentido. Na época, a novidade havia tido tal impacto midiático, que inúmeros doadores decidiram anular suas doações. A justificativa: muitos qualificavam a assistência sexual para deficientes como uma "forma latente de prostituição".

A consequência para a Pro Infirmis foi a perda de 400 mil francos em poucos meses e a decorrente decisão de interromper o projeto. Dois anos mais tarde, e seguindo o impulso da sua presidente Aiha Zemp – ela própria deficiente – a FABS decidiu retomar a idéia e inaugurou a primeira formação para assistentes sexuais. Hoje em dia, cinco anos após o lançamento, o balanço feito por Aiha Zemp é largamente positivo, mesmo se críticas ainda são ouvidas.

Rejeitado nos países católicos, como a Itália, esse trabalho está longe de ser um piomeirismo helvético. Outros países, como a Holanda, Alemanha e Dinamarca, também têm serviços semelhantes. Já nos anos de 1980, eram formadas nos Estados Unidos e no norte da Europa profissionais para apoiar deficientes nos seus desejos sexuais. O trabalho chega mesmo a ser custeado pelos seguros de saúde em alguns países escandinavos.

Sem catálogos

A Suíça não chegou a tanto. O principal desafio é conquistar aceitação pelo trabalho. E no que este consiste verdadeiramente?

"Não temos um catálogo de apresentação", explica Catherine Agthe Diserens, presidente da SEHP. "Cada caso é único e deve ser avaliado separadamente para melhor compreender o que as pessoas que nos procuram necessitam e como podemos ajudá-las a se sentir melhor". Um diálogo que se constrói também através da ajuda de educadores e da família, a partir do momento em que o grau de deficiência o exige.

Da massagem erótica às carícias, até o strip-tease ou masturbação: o leque proposto é extenso e responde simplesmente às necessidades de uma intimidade geralmente reprimida e mesmo estigmatizada. "Cada assistente oferece com empatia e respeito um pouco de ternura contra uma remuneração que vai de 150 a 200 francos por hora", relata Catherine Agthe Diserens. "Por vezes, o trabalho é simplesmente descobrir o prazer de reencontrar uma funcionalidade perdida após um acidente, enquanto que, em outras circunstâncias, a relação pode ir até uma relação oral ou a penetração."

"Solicitar a ajuda de assistentes sexuais não é a solução para cada problema, mas isso permite cobrir um vazio, cuja existência até então era negada", lembra Aiha Zemp.

Um trabalho difícil

Ao contrário da prostituição, o acompanhamento sexual de deficientes só pode ser iniciado após um trabalho pontual de educação, orientado pelo respeito ao outro, pela ética e a escuta. "Os assistentes sexuais devem ser pessoas equilibradas, conscientes da sua própria sexualidade e não sentir desconforto com a deficiência. Além disso, eles devem manter outro trabalho a tempo parcial. Também é preciso informar os próximos da sua escolha profissional", detalha Dieserens.

"É uma experiência transtornadora. Colocamos tudo em questão: nossas idéias, nossa relação com o corpo e outros", revelava Jacques, um assistente sexual que acaba de receber seu diploma, durante uma entrevista à rádio.

Casado, pais de três crianças, Jacques relata que sua esposa apoiou sua decisão com naturalidade, sobretudo devido aos limites fixados por ele próprio desde o início: "Me dedico ao corpo, à pele, aos órgãos dessas pessoas. Não posso lhes negar massagens, carícias íntimas, mas não chego à penetração. O beijo – e o resto – está reservado a uma só pessoa bem determinada na minha vida."

A formação dura 18 dias, distribuídos por um ano, e acrescida de uma dezena de horas de trabalho em casa. Os custos chegam a 4.200 francos, o que mostra a motivação dos que escolhem o caminho.

Apesar do reconhecimento de muitos, a formação continua sendo difícil de explicar à família e até mesmo a si próprio. O fato de que, de um ponto de vista legal, o trabalho de assistente sexual seja assimilado à prostituição e esteja impregnado de uma conotação negativa não facilitam.

Mas para Aiha Zemp, esses profissionais estão apenas levantando o véu de um universo oculto, feito de desejos rejeitados e perturbações afetivas. Um mundo que deve ser abordado com um olhar diferente, ao se tratar de deficientes físicos. Uma diferença que tem um grande valor para aqueles que, como Jacques, conseguem transpor a deficiência e os temores que muitas vezes ela inspira para começar a escutar a necessidade íntima de ternura.

Stefania Summermatter, swissinfo.ch

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Teste do Olhinho

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada minuto, uma criança fica cega no mundo por falta de cuidados. Muitas, porém, poderiam ter a visão poupada se obtivessem o diagnóstico precoce das diversas anomalias, que acometem o olho e causam cegueira, detectadas pelo Teste do Olhinho.
 
Só no Brasil, há 25 mil crianças sem visão e cerca de 80% desses casos poderiam ser evitados com o tratamento adequado a partir do diagnóstico do Teste do Olhinho, alerta a médica do Hospital oftalmológico de Brasília (HOB), Virginia Cury.
 
Pais desinformados - O Teste do Olhinho, ainda é menos conhecido pelos pais do que deveria, apesar da sua importância na medida em que pode detectar doenças visuais ainda na fase inicial. O exame é apontado, pela especialista do HOB, como uma técnica simples e rápida. “O teste permite o diagnóstico precoce de catarata, glaucoma congênito, opacidades de córnea, tumores intraoculares, inflamações intraoculares ou hemorragias intravítreas em recém-nascidos, antes mesmo de receberem alta da maternidade”, explica.
 
O Teste é feito no berçário. Virgínia descreve que um feixe de luz é emitido pelo oftalmoscópio - um aparelho que deve constar da infraestrutura das maternidades. Quando não há nenhum obstáculo à visão, a luz alcança a retina, região nobre do olho, responsável por captar as imagens que se formarão no cérebro, e ao ser refletido, faz com que o médico ou examinador veja seu reflexo vermelho. “A ausência desse retorno é uma evidência de que pode haver alguma alteração congênita”, explica a médica do HOB.
 
Lei para 10 estados - Mesmo diante da relação de benefícios apontada por especialistas, em apenas dez estados do País o exame é obrigatório na rede pública de saúde.  No Distrito Federal, já vigora Lei Nº 4.189, no final de julho de 2008, que obriga todas as maternidades a realizarem o teste. Em 2010, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que os planos de saúde cubram este exame.
 
Existem pelo menos dois projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e propõem a obrigatoriedade do teste aos hospitais de todo o Brasil. O primeiro é o Projeto de Lei 1.625/2007, do deputado Gervásio Silva (DEM/SC), cuja justificativa é tornar o “Teste do Olhinho” uma obrigação nacional. Segundo o site da Câmara dos Deputados, o projeto foi arquivado em setembro de 2009 pela Mesa Diretora.
 
Já o Projeto de Lei 240/2007, de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS) pretende alterar o Artigo 10 da Lei 8.069, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente, e também torna obrigatório o ”Teste do Olhinho” em todo o País. Atualmente, o projeto está em análise na Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal.

domingo, 9 de outubro de 2011

Concurso barra veterinário aprovado em 1º lugar por ser deficiente físico

Cadeirante, João Paulo Buosi fez prova em 2009 e batalha na Justiça para ser nomeado
Data: 08/10/2011 ás 13:32:59          Link:
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Quem costuma prestar concursos públicos sabe o que é a maratona desde a inscrição até a divulgação da lista com os aprovados. Paraplégico, o veterinário João Paulo Buosi, de 29 anos, conhecia bem essa rotina em 2009, quando resolveu fazer a prova para trabalhar no do CRMV-SP (Conselho Regional de Medicina Veterinária).

Ele, que vinha de um emprego no Paraná obtido por meio de concurso, preparou-se e prestou o exame para o CRMV-SP em junho do mesmo ano. Passou em primeiro lugar na lista de pessoas com deficiência. Entretanto, o que deveria ser motivo de orgulho virou um pesadelo que ele vive até hoje, passados dois anos.

Buosi nunca foi convocado para a vaga - ele foi barrado no concurso por ser deficiente. O veterinário ainda espera uma solução para seu caso, que se transformou em uma verdadeira batalha com perícias médicas e perguntas sem resposta.

Órgão público diz que primeira perícia considerou o candidato inapto

Editais de concursos não podem limitar a entrada de deficientes

- Não me convocaram, alegando que a minha deficiência é incompatível com o cargo, mesmo sem fazerem nenhuma perícia e só com a documentação que eu havia enviado no ato da inscrição, quando me consideraram apto a prestar a prova.

Ao se inscrever para o exame, Buosi entregou, na hora da inscrição, uma série de documentos e exames médicos que informavam sobre a sua deficiência. O procedimento é normal, afirma Thiago Lacerda Nobre, procurador do MPF (Ministério Público Federal) em Jales, no interior de São Paulo.

Os documentos para a inscrição foram aceitos pelo Conselho Regional. Essa mesma documentação sobre a deficiência, depois, foi usada para excluí-lo do concurso, após a divulgação do resultado.

- A alegação de que ele [Buosi] é deficiente não "cola", porque [o Conselho Regional de Medicina Veterinária] já sabia que ele era cadeirante, a inscrição foi toda feita com essa documentação.

Como o veterinário não foi convocado para o trabalho, o segundo colocado da lista de deficientes foi chamado - ele também acabou excluído do concurso.

Já tinha experiência na função

Buosi já havia exercido função parecida com a oferecida pelo CRMV - na época, ele trabalhava no Paraná, onde foi aprovado em um órgão público. Caso fosse aprovado na prova do Conselho Regional, ele, que é de Fernandópolis, no interior de SP, trabalharia em São José dos Campos ou em Ribeirão Preto.

O procurador pediu duas perícias médicas para avaliar as condições do veterinário de exercer a função. Na primeira, ele foi avaliado como inapto para o emprego; mas na segunda, os próprios médicos do conselho o consideraram apto a trabalhar, com restrições - como não poder ir a áreas rurais em dias de chuva, devido à cadeira de rodas.

Apesar do resultado positivo, Buosi foi barrado mais uma vez no processo seletivo.

- Eles [o Conselho] entenderam por bem reprovar o João Paulo com base no que foi comentado por três servidores que não são técnicos, são da área dele e, por sinal, subordinados ao conselho, dizendo que ele não conseguiria aguentar um dia de serviço.



Perícia atesta que o veterinário Buosi está apto para o trabalho Crédito: Reprodução



Entre a aprovação e a última perícia passaram-se quase dois anos. Sem acordo, o procurador entrou com processo na Justiça para que o veterinário seja nomeado imediatamente para o emprego, e avaliado em um estágio de dois anos, ou seja, exercendo a função, um procedimento padrão em concursos do tipo.

- Houve duas irregularidades [cometidas pelo CRMV]: primeiro que desrespeitaram a ordem do concurso, quando chamaram o segundo colocado, e segundo não fizeram uma perícia que excluísse [definitivamente] o veterinário do processo seletivo.

Na ação, o procurador ainda pede uma indenização no valor de R$ 1 milhão, a ser revertida em medidas de inclusão de deficientes.

- [O dinheiro] vai ficar em uma conta da Justiça, e a gente vai ver se doa a alguma entidade ou investe em alguma obra específica.

Cadeirante desde 2002

Cadeirante desde 2002, após um acidente, Buosi vinha se dedicando a concursos pelas condições de acesso a deficientes que ele não encontrava em outros empregos. Mas a batalha travada com o CRMV o desanimou.

- Até tive outras oportunidades, mas esbarrava na acessibilidade, aí prestei esse do Paraná e acabei virando "concurseiro". Meu objetivo sempre foi um concurso do Ministério da Agricultura, mas esse fato me desanimou muito. Não consegui mais pegar firme nos estudos. Fico pensando que pode não dar certo de novo e não vai ser por falha minha.

Liminar na Justiça

Enquanto o processo judicial prossegue, o procurador Lacerda ainda espera um parecer favorável em uma liminar que já foi enviada por ele à Justiça e pede a nomeação imediata de Buosi.

O veterinário, que segue trabalhando em Jales, em um órgão no qual também entrou via concurso, diz já nem saber o que esperar do futuro.

- Já estou tão frustrado, decepcionado, perdi tantas noites de sono com isso que não tive nem tempo de pensar se quero ou não esse trabalho, estou meio que deixando rolar.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

15 DE OUTUBRO DIA DO PROFESSOR


No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A idéia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima – caso tivesse sido cumprida.
Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor.
Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: “Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.
Fonte:
Colégio Nobilis

Cerca de 200 mil jovens com deficiência estão fora da escola, diz MEC


Gilberto Costa

Da Agência Brasil
Em Brasília



Quase metade das crianças e adolescentes (48%) com algum tipo de deficiência e que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) estão fora da escola. A proporção equivale a cerca de 200 mil jovens que deveriam estar estudando, mas não conseguiram vaga nas escolas ou as famílias não efetuaram a matrícula.
Os números são do Ministério da Educação (MEC) que hoje (21) lançou em Brasília a 2ª edição do Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas. De acordo o ministro Fernando Haddad, o grande contingente é fruto de problemas culturais (as famílias não têm a compreensão da necessidade e do direito de as pessoas com deficiência estudarem) e também da “falta de iniciativa” do Poder Público local.
Haddad espera que as secretarias de Educação dos Estados e dos municípios busquem as crianças e os adolescentes que não estão na escola. “Eu tenho o cadastro de todas as crianças que recebem por lei um salário mínimo em virtude de uma deficiência [o BPC]. Eu tenho esse cadastro [da Previdência Social] e cruzo com o do MEC. Se eu não encontro a criança matriculada, eu tenho que visitar essa criança”, recomendou o ministro ao salientar que a busca ativa está sendo feita desde 2008. “Cem mil crianças já foram resgatadas com esse processo, nós temos que buscar essas 200 mil.”
De acordo com a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), Cláudia Pereira Dutra, muitas famílias têm medo de perder o benefício ao matricular os filhos porque, na visão dessas pessoas, a frequência escolar seria a comprovação de que não existe invalidez. Cláudia afirma que não há essa possibilidade e esclarece que a Constituição Federal (Artigo nº 205) determina que a educação é “direito de todos e dever do Estado e da família”.
“Esse recurso [do BPC] é para promover a qualidade de vida das pessoas, entre eles, o exercício do direito à educação”, salientou.
Segundo Cláudia, desde 2007, mais de 24 mil salas de recursos multifuncionais (com equipamentos, mobiliários, material para atendimento especializado) foram instaladas nas escolas públicas (investimento de R$ 150 milhões). Anualmente, o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) oferece R$ 100 milhões para a adequação física de escolas (construção de rampas, instalação de corrimão, adaptação de banheiros).
Na opinião da secretária, além da adequação física e da formação dos professores, é fundamental a compreensão dos profissionais que atuam nas escolas de que muitas pessoas com deficiência necessitam do apoio de um acompanhante permanentemente – como parentes que possam ficar na escola para ajudar em atividades em sala, na locomoção, na alimentação e no uso dos banheiros.
No ano passado, escolas públicas de 420 municípios de todo o país inscreveram 713 iniciativas para concorrer ao Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas. Uma escola em cada região foi premiada. Este ano, o prêmio terá três categorias: escolas públicas (para experiências pedagógicas exitosas); secretarias de Educação (para gestão do sistema de ensino que gere inclusão); e estudantes de escolas públicas (para texto narrativo sobre o tema A Escola Aprendendo Com as Diferenças, que deve ser elaborado por estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio). O primeiro colocado recebe um notebook.
As inscrições devem ser feitas até 31 de dezembro no site do MEC. Além das três categorias, a premiação fará menção honrosa à experiência pedagógica de educação infantil. “O estímulo nesta fase é fundamental para que o aluno não tenha dificuldade de adaptação no futuro”, aponta a secretária Cláudia Pereira Dutra.